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Origem do zika vírus

O nome zika vírus tem sua origem devido ao nome da Floresta Zika, localizada em Uganda, continente africano, de onde surgiram os primeiros sintomas de uma doença proveniente de macacos que  entraram em contato com agentes microscópicos por meio da picada de mosquitos irmãos do conhecido Aedes aegypti, parecidos com o que transmitem a dengue ou a febre amarela urbana. Em algum momento inexato ao fim da primeira metade do século XX, o homem entrou nesse ciclo aparentemente harmônico entre o macaco e o vírus e passou a ser o que chamamos de hospedeiro acidental. Foi assim com o Zika e outras doenças infecciosas como malária, febre amarela e doença de chagas surgiram num sistema mais abrangente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Devido ao crescimento dos meios urbanos, os danos à natureza, a poluição e o descarte incorreto do lixo industrial e doméstico, um novo ciclo entre homem e mosquito transmissor mantém a circulação viral que promove um aumento destas doenças.

O período entre a aquisição do vírus por meio da picada do Aedes aegypti e o aparecimento dos sintomas varia entre 3 e 12 dias, sendo que apenas uma em quatro pessoas irão desenvolver sintomas da doença. Por apresentar os sintomas muito similares aos da dengue, mas com duração mais curta, a infecção pelo Zika foi sempre de difícil confirmação desde os primeiros casos na África. Febre baixa, dores musculares, dor de cabeça, inflamação nos olhos e manchas na pele, chamadas de exantema – quadro clínico de difícil diferenciação com a dengue e similar a um quadro de alergia por também atingir a pele e os olhos.

 

Aedes aegypti 

Originário do Egito, o mosquito Aedes aegypti se espalhou em áreas tropicais e subtropicais, sendo ele responsável pelas doenças: denguefebre amarelazika e chikungunya. Com o surgimento de epidemias de dengue e Zika vírus atuais, o controle da população do Aedes aegypti é um assunto de saúde pública.

Sabe-se que os mosquitos são vetores de muitas doenças. São seres hematófagos, dessa forma, os mosquitos fêmeas se alimentam de sangue quando se encontram em período de ovulação. Ao ser contaminado, o mosquito carrega o vírus, bactérias e protozoários que se alocam em suas glândulas salivares, infectando assim as pessoas diretamente na corrente sanguínea.

Sem dúvida, várias dessas patologias causadas por mosquitos tornaram-se epidemias mundiais. Como teste e prevenção, autoridades públicas da saúde vêm testando a soltura de mosquitos geneticamente modificados – "aedes do bem" – para controle e redução de casos de doenças transmitidas pela picada dos mosquitos.

De acordo com os infectologistas Fábio Junqueira e Maria Carolina Pereira da Rocha, médicos infectologistas e docentes na Faculdade de Medicina da PUC-SP, dado o período curto para o diagnóstico e a falta de exames confirmatórios disponíveis, a suspeita recai sobre a realidade local da ocorrência. Nestes casos, avaliam-se os determinantes sociais como pobreza, déficit de saneamento básico e oportunidade de acesso rápido e de qualidade à saúde. Portanto, diagnosticar corretamente tornou-se um desafio para as políticas e os serviços de saúde.

Síndrome de Guillain-Barré

Aqui no Brasil várias pesquisas tem conseguido estabelecer associações entre a infecção pelo Zika e complicações como a microcefalia e a Síndrome de Guillain-Barré. Esta última é uma doença caracterizada pelo acometimento dos nervos periféricos das pernas e dos braços que leva à fraqueza progressiva, dificuldade de movimentação dos membros, podendo levar inclusive à paralisia momentânea das pernas.

Como apontam pesquisadores, tanto o zika como as inflamações que nosso corpo produz ante ao vírus podem causar lesões nos nervos caracterizando a Síndrome de Guillain –Barré. As manifestações em nosso corpo iniciam cerca de sete dias após a remissão dos sintomas da infecção.  Assim como o vírus da dengue, o Zika tem o que chamamos de tropismo, ou afinidade, pelos nervos do nosso corpo e, portanto, causa esses danos neurológicos, conforme afirmam os infectologistas Junqueira e Rocha. Tristemente, presenciamos uma realidade nova e um desafio em termos de saúde pública, uma doença com complicações ainda pouco conhecidas e potencialmente limitantes.

Relação do zika com a microcefalia

A microcefalia é tratada como uma anomalia congênita em que o cérebro não se desenvolve adequadamente. As fontanelas (conhecidas como moleiras) se fecham precocemente impedindo o cérebro de crescer e se desenvolver e, como resultado, o perímetro da cabeça fica menor que o normal e do restante do corpo do recém-nascido.

Desse modo, a circunferência da cabeça é menor do que o esperado para idade gestacional, tempo de vida e sexo. Mas ela pode ter origem em defeitos congênitos ou outras causas familiares ainda em estudo, síndromes genéticas, exposição a toxinas e a agentes infecciosos na gestação. A menos que a microcefalia seja familiar, 90% dos bebês comprometidos tem algum atraso no desenvolvimento neurológico. Ou seja, a gestação do bebê pode ser afetada de diversas maneiras.

Na categoria das infecções congênitas, o Zika vírus parece estar presente, o que foi descoberto somente após o nascimento dos bebês. Os relatos de aumento de incidência do vírus no Nordeste desde o início de 2015 e de gestantes que apresentavam histórico de sintomas de febre alta ou mesmo com diagnóstico de dengue sugestivos na gravidez, tornaram-se uma forte a suspeita de que o aumento de casos estaria relacionado ao vírus zika.

A microcefalia relacionada a esse vírus é uma doença nova que foi descrita pela primeira vez na história e, nestes casos, não há ainda um tratamento específico para a doença ou mesmo vacinas que garantam a eficácia no combate ao vírus causador da microcefalia. Desse modo, medidas de vigilância epidemiológica, identificação precoce dos casos e controle do vetor de forma coletiva são importantes.

Medidas de controle pela população são importantíssimas, entre elas os cuidados relacionados à proliferação dos mosquitos nos domicílios, higiene das lixeiras e de água parada e de locais que devem ser observados e mantidos limpos evitando o surgimento de criadouros de mosquitos. Medidas individuais como o uso de repelentes, mosquiteiros e inseticidas domésticos não devem ser descartados.

O mosquito costuma picar no início e no fim da tarde, nesse horário o cuidado deve ser maior, com fechamento e telas nas janelas e o uso de roupas de manga longa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que não há qualquer impedimento no uso de repelentes por gestantes desde que sejam seguidas as normas dos fabricantes.
Segundo reportagem da revista Carta Educação, infelizmente alguns mitos e boatos como “crianças em coma” após o Zika ou que ele foi trazido pelos imigrantes são difundidos por redes sociais e aplicativos de mensagens dos smartphones. A resposta às epidemias deve ser dada com cidadania e políticas públicas adequadas, nunca com sensacionalismo e pânico.

Dengue e a chikungunya

Considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo, a dengue tem casos registrados em cerca de cem países, na maioria de clima quente e de baixo Índice de Desenvolvimento Humano, como África, Américas Central e do Sul e Sudeste Asiático. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), estima-se que ocorram em torno de 50 milhões de novos casos de dengue por ano.

Já a chikungunya, apesar de nova para os brasileiros, tem origem no vocabulário antigo da etnia makonde, da Tanzânia e do Moçambique, na África Oriental. Os primeiros casos foram originados da África no século XVIII e, a partir daí, a febre chikungunya esteve relacionada às comunidades rurais da África Oriental. A partir da segunda metade do século XX, vários casos passaram a ser relatados no Sudeste Asiático e, recentemente, na América do Sul. A dengue e a chikungunya são parentes bem próximos. Ambas são causadas por vírus, mais precisamente por um grupo deles, chamados de arbovírus, que possuem em comum o fato de serem transmitidos por artrópodes. O segundo elemento que as aproxima ainda mais é que ambas as doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, o conhecido Aedes aegypti, morador das zonas urbanas e periurbanas brasileiras. Nos dois casos de manifestação das doenças, a febre é o principal sintoma que aparece em média de cinco a dez dias depois da transmissão do vírus pela picada do mosquito. Porém, enquanto na dengue o doente sente dores de cabeça, nos olhos e musculares e, nos casos graves, sangramentos em diferentes partes do corpo e queda da pressão arterial, na febre chikungunya, além das fortes dores há danos permanentes nas articulações, podendo até haver dificuldade de movimentação.

Foram descobertos quatro tipos diferentes do vírus da dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4) que circulam no Brasil. Quando somos infectados por um determinado sorotipo, nossa imunidade é capaz de produzir defesa para o resto da vida, mas somente para o sorotipo do qual fomos infectados. Por exemplo, quem teve a dengue tipo (sorotipo) 1, ainda poderá ser contaminado pelos sorotipos 2, 3 ou 4. Desse modo, o crescimento de casos de dengue em pessoas jovens aponta um aumento de essas pessoas apresentarem novas infecções por outros sorotipos no futuro. Muitas epidemias de dengue podem surgir a partir destas infecções, pois o mosquito tem grande preferência pelo sangue humano em comparação com o de outros mamíferos. Onde há muitas populações, os criadouros estão próximos. Ovos do mosquito normalmente são encontrados em paredes de caixa-d’água, pneus ou recipientes abertos e podem resistir por mais de um ano nesses locais, geralmente esquecidos pela população. Altas temperaturas também colaboram para o rápido desenvolvimento das fêmeas que contêm o vírus. Pesquisas retratam que a elevação da temperatura do planeta em 2 graus até o fim do século XXI indica um favorecimento para o aumento da área de infestação do vetor da dengue e da chikungunya.

  

O combate ao mosquito

Considerada uma doença socioambiental, com índices que apontam o maior número de manifestação em periferias - que sofrem com a falta de água, saneamento e coleta de lixo – o combate segue um modelo similar ao combate de pragas agrícolas, com o uso de produtos químicos e com algumas campanhas sobre o controle de criadouros nas residências.

Por isso se dá a importância de se trabalhar o tema nas escolas, no âmbito da Educação Básica, para esclarecimento de dúvidas e das controvérsias que acabam por causar temor na população com certos mitos, mas que não resolve como estratégia de combate ao mosquito. As medidas de controle são necessárias e a escola tem papel fundamental neste processo. Ações assistenciais ganham em importância, haja vista que o cuidado ao paciente e a prevenção de casos graves e de mortes passa a ser primordial. Está claro que o poder público transborda em suas fragilidades, reflete a falta de cuidado e preparo por seus profissionais, além dos postos de saúde não suprirem a carência de medicamentos e de estrutura para atendimento de pacientes.

A responsabilidade de cada cidadão e de organizações em propagar as informações corretas, quebrando os mitos e ajudando a população com estratégias de combate ao mosquito são fundamentais. Por isso que tais doenças são consideradas como socioambientais, pois exigem uma ação conjunta, homem-natureza, em participação direta na aplicação de medidas de prevenção em médio prazo envolvendo os mais diversos setores.

Quanto à escola, esta proposta vem ao encontro de todas estas expectativas, viabilizando o apoio, seja por esclarecimentos e pela campanha tema, que ajudará as populações mais carentes neste contexto socioambiental.

Fonte: Carta Educação (site): http://www.cartaeducacao.com.br/aulas/doencas-socioambientais/

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