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 Controvérsias sobre o Zika Vírus

 

 

 

 

 

 

 

 

O aumento considerável dos casos de microcefalia em recém nascidos no ano de 2015 em algumas regiões do  nordeste brasileiro assustou a população do país e estimulou a comunidade científica que se empenhou em investigações com o objetivo de esclarecer as causas desse aumento no numero de casos dessa malformação congênita. A presença de grande concentração do vírus zika no tecido nervoso dos natimortos fortaleceu a associação entre o vírus zika e microcefalia. As mães confirmaram que tiveram uma doença leve no início da gravidez, com manchas vermelhas na pele, coceira, febre baixa, sintomas que desapareciam depois alguns dias. A descrição da doença coincide os sintomas mais comuns da zika.  Havia uma possibilidade de associação entre vírus zika e o aumento de casos da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), distúrbío neurológico que causa paralisia e pode, em alguns casos, paralisar também o músculo diafragma. Sabe-se que a SGB pode ser consequência de vários tipos de infecções virais e bacterianas. Mais tarde, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas encontraram ácido ribonucleico (RNA) do zika vírus no sangue, no cérebro e em outros órgãos de um recém nascido que morreu logo após o  parto.

Apesar de existirem fortes evidências da relação entre microcefalia e a infecção pelo vírus zika, os pesquisadores ainda não conhecem totalmente o funcionamento da hoje chamada Síndrome Congênita do vírus zika. Os cientistas ainda estão em busca de dar respostas a muitas lacunas do conhecimento sobre essa síndrome, existindo controvérsias  que ainda não foram solucionadas. 

A demora da ciência em dar essas respostas acaba dando espaço para o surgimento de boatos, pois as pessoas buscam por respostas rápidas e simples de serem entendidas. Quando nos deparamos com os boatos, as fake news percebemos que, em muitos deles, existe uma parte do boato que é verdadeira, o que acaba complicando ainda mais a sua desmistificação. Para desconstruir um boato é preciso ter paciência e senso crítico e infelizmente muitas pessoas não tem essa criticidade para analisar uma notícia e identificar uma fake news. Essa falta de senso crítico leva as pessoas a acreditarem em absurdos, o que infelizmente pode ser muito prejudicial à saúde, como por exemplo não tomar as vacinas, tecnologia tem aumentado em muito a nossa estimativa de vida. 

Ainda hoje temos algumas controvérsias que estão circulando e sendo debatidas pela comunidade científica. Iremos destacar três controvérsias:

1- Os mosquitos transgênicos são produzidos pela empresa britânica Oxitec, com fábricas em algumas cidades do Brasil como em Campinas- São Paulo. Como funciona essa tecnologia? Os mosquitos machos (que não picam), geneticamente modificados ao fecundarem fêmeas selvagens, dão origem a descendentes que morrem antes de chegar à fase adulta. O objetivo é reduzir a população do mosquito vetor, através da liberação sistemática de mosquitos transgênicos no meio ambiente. Essa tecnologia foi aprovada pela Comissão Técnica de Biossegurança CTNBIO, que assessora o governo federal nas questões relativas à biossegurança de organismos geneticamente modificados, mas é alvo de controvérsias sobre a eficácia e segurança na sua utilização. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) argumenta que não foram feitos estudos de biossegurança suficientes e que “não existem garantias nem indícios de exequebilidade dessas tecnologias no sentido de obter resultados profiláticos duradouros”. (WEMELINGER, 2016).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo nota técnica da ABRASCO, a soltura dos machos dos mosquitos transgênicos em ambientes que podem estar

contaminados com o antibiótico tetraciclina, pode ocasionar aumento no tempo de vida do mosquito vetor, caso esses mosquitos façam a ingestão desse antibiótico. Outro questionamento diz respeito à possível ocupação do nicho ecológico do Aedes aegypti por outras espécies como o Aedes albopicus, que também funciona como vetor dessa doença.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2- Os mosquitos contaminados com a bactéria Wolbachia, encontrada naturalmente em diversos insetos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito que, desta forma, não consegue infectar seres humanos com essas viroses. O objetivo dessa tecnologia é liberar as fêmeas desses mosquitos no ambiente, para que substituam  os mosquitos Aedes aegypti selvagens por mosquitos contaminados por essa bactéria. Alguns pesquisadores questionam a eficácia dessa estratégia quando em larga escala e alertam sobre possíveis desequilíbrios ecológicos, caso ocorra a transferência da bactéria para o ambiente ou para outros insetos. (TURCO; PAIVA, 2017, p. 12).

 

3- A ABRASCO (assim como outros pesquisadores) alerta para os métodos de supressão da população de mosquitos vetores através do uso indiscriminado de inseticidas e larvicidas e argumenta que essa estratégia química não tem se mostrado efetiva na eliminação do vetor e que o uso dessas substâncias pode levar à resistência dos mosquitos aos inseticidas e larvicidas. Além disso, o uso indiscriminado de larvicidas e de inseticidas pode causar sérios danos à saúde da população, principalmente das comunidades mais pobres. A ABRASCO lembra que não existem controvérsias sobre a importância da eliminação dos criadouros de mosquitos. A proliferação dos mosquitos está relacionada às condições precárias de urbanização, com pouca coleta de lixo, saneamento básico insuficiente e pouca distribuição de água potável. 

 

Referências

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Nota técnica sobre microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti: os perigos das abordagens com larvicidas e nebulizações químicas - fumacê. Rio de Janeiro. Disponível em: <https://www.abrasco.org.br/site/outras-noticias/institucional/nota-tecnica-sobre-microcefalia-e-doencas-vetoriais-relacionadas-ao-aedes-aegypti-os-perigos-das-abordagens-com-larvicidas-e-nebulizacoes-quimicas-fumace/15929/>. Acesso em 24 jun. 2018.

NUNES, J.; PIMENTA, D. N. A epidemia de zika e os limites da saúde global. In: Lua Nova, 98: 21-46, São Paulo, 2016.

TURCO, C. S.; PAIVA, E.N. Epidemia de Zika e Olimpíadas: reacendendo as controvérsias com novas e antigas tecnologias. Anais do VII Esocite, 2017, p. 12.

WERMELINGER, E. D. As reivindicações da ABRASCO para as ações de controle do Aedes aegypti no Brasil. Caderno de Saúde Coletiva, n. 24., v. 4, Rio de Janeiro, 2016.

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